Irrito-me facilmente! Principalmente quando as pessoas dizem
“Ah! Tem doze anos não sabe o que é amar de verdade” ou “Escreveu ‘tenho
saudades dele’ provavelmente deixou a Barbie e o Ken em casa!”. Muito pelo
contrário! Miúdas de onze, doze, treze anos conseguem amar mais que algumas
gajas de dezasseis, dezassete e dezoito; mais importante que isso – amamos de
verdade <3 Barbie’s e Ken’s? Quem me dera ainda pensar nisso! Posso ser nova
de idade, mas sei o que é amar de verdade e já pus as Barbie’s de lado! Sinto
falta do tempo em que só me preocupava que roupa iria vestir na minha Barbie
favorita, de que cor iria pintar o desenho, queria e tinha que acordar a tempo
de ver as Winx, o Oliver & Benji, a Hannah Montana, os Power Rangers, etc…
Falta da minha infância. Em que a pior dor que conhecia era a daquele ferida
que ardia muito no banho. Em que só chorava porque tinha feito mais uma ferida,
mas no segundo seguinte já sorria, feliz da vida. Aquele tempo em que adormecia
e acordava com um sorriso natural no rosto. Infância… Quando pensava que sofria
apenas porque já tinha caído muitas vezes naquele dia! Quando corria recreio
fora para ir jogar futebol, brincar aos restaurantes… Aquele tempo em que
queria crescer! Se soubesse que ia sofrer tanto, muito mais do que naquele dia
em que cai e fiz aquela ferida no joelho, se soubesse que ia deixar de
adormecer a sorrir todas as noites, se soubesse que o meu sorriso nem sempre
seria natural, se soubesse que a adolescência ia ser assim… Se soubesse disso
arranjaria uma maneira de parar o tempo e não crescer mais, ou pelo menos
aproveitar aquele tempo. Se soubesse que iria ser assim talvez tentasse ficar
pequenina, com cinco, seis aninhos para sempre. Porque na minha infância, eu
era feliz e não sabia.
*Biia Lourenço
*Biia Lourenço
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