sábado, 17 de agosto de 2013
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sim. sim, mudei. é o que tu dizes e tens toda a razão. já não sou aquela rapariga ingénua que acreditava em todas as palavras que lhe diziam. já não sou aquela rapariga que confiava em toda a gente. já não sou aquela rapariga que é simpática para todos. já não sou aquela rapariga que fala abertamente com todos. não, não o sou. porque tive que mudar. chama-se proteção. se não mudasse iria continuar a acreditar em tudo o que me diziam, ia continuar a confiar em todos. e ia desiludir-me. sempre. uma, outra e outra vez. com pessoas diferentes. e eu não vou deixar isso acontecer novamente. eu não vou voltar a passar noites a chorar por causa de desilusões. por causa de palavras. não vou. tudo isso me tornou mais forte, mais fria e menos ingénua. sim, sou antipática para pessoas que já me trataram bem. se calhar se elas não me tivessem desiludido eu não o era. sou antipática para pessoas que insistem, porque nem sempre ser persistente te leva a algum lado. sou antipática porque mais vale ser fria, curta e direta, do que estar com rodeios e não dizer tudo de uma vez. sim, por vezes as pessoas magoam-se. mas não há absolutamente nada na vida que tu faças que não magoe ninguém. sim, eu mudei. tornei-me fria, antipática e desconfiada. apenas para aqueles que não me são próximos, é certo, mas mudei. porque estou farta de me desiludir. porque estou farta de sofrer. porque estou farta de chorar. não crio ilusões para não me desiludir. não acredito no " para sempre ". é tudo farsas. mentiras. que só acabam em mágoa. em desilusão. em lágrimas. o tempo passa, a ferida cura. mas basta lembrarem-te disso que volta a doer. porque o tempo passa, mas a ferida não fica completamente curada. e nós, seres humanos tão vulneráveis insistimos em abrir as feridas quase curadas dos outros, e em deixar que abram as nossas. mas eu não quero isso para mim. não quero que voltem a tocar nas minhas feridas. não quero senti-las doer outra vez. não quero voltar a fraquejar. não quero voltar a sentir-me vulnerável. porque não gosto dessas sensações. não gosto que as feridas antigas voltem a doer, porque junto com essas feridas antigas vêm memórias. memórias do tempo em que o tinha. não quero voltar a fraquejar, ou a sentir-me vulnerável, porque é difícil ultrapassar isso. é difícil levantares-te e construíres uma muralha à volta de ti, à volta do teu coração. tudo para te protegeres. sendo que bastava uma pessoa. com um único gesto ou uma única palavra para destruir toda aquela proteção. mas às vezes faz falta. às vezes, e por mais que negue, faz falta um abraço apertado na altura certa. faz falta um beijo na testa. faz falta ter alguém ali. alguém com quem possa desabafar. alguém com quem possa ter aquele silêncio bom, em que não é preciso nada sem ser olhares. faz falta ter alguém ali que limpe as lágrimas. alguém que nem sequer as deixe cair. alguém que saiba como tratar outra pessoas. e é nesses momentos que a vulnerabilidade e a fraqueza voltam. porque, na verdade, somos todos vulneráveis. estamos todos à mercê de toda a gente. porque basta uma palavra para que a muralha desabe. e sim, sim eu mudei. mas foi necessário. prefiro ter mudado e, mesmo que não me sinta bem com isso, magoar do que ser magoada. desculpa, mas nestas alturas temos de ser egoístas. e eu cansei-me de me preocupar mais com os outros do que me preocupo comigo mesma. por isso, isso acabou.
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